sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Solidão




 

Se parece mais com um desafio, um desafio pessoal, uma briga comigo mesma, contra meus costumes, meus hábitos naturais.

É prazeroso, lindo, confortável, não me dá gastos, é espaçoso, tenho liberdade, privacidade, me divirto com ele, levo amigos, me sinto independente, faço o que quiser, da maneira que quiser.

Ontem a noite acordei me sentindo mal, sentia dor e desconforto, nada grave, mas naturalmente alguém saberia, estaria comigo, queria pegar o telefone e ligar só para dizer: “estou sentido”tal coisa”, não fique preocupado não é nada” só queria que alguém soubesse. É uma vontade que temos, de comunicar a alguém nosso problema, como se assim ele melhorasse.

Mas não o fiz, passei mal durante um tempo, sofri silenciosamente, agüentei e depois voltei a me deitar, como se vitoriosa. Quando estamos sozinhos sentimos vontades infantis de chamar alguém, ligar, vontade de conversar para passar nosso medo ou tristeza.

Vi um filme muito triste e me senti pior, comprei um cartão telefônico e liguei para alguém, sem nem ao menos saber o que falar, esse tipo de atitude nos faz parecer ridículos, e assim o somos.
Cada vez mais luto e reluto, me negando muitas vezes a ter companhia e conversar com alguém, só para ver se assim estarei bem.

Estou acostumada a morar com alguém, a ter alguém ao lado enquanto como ou vejo televisão. Estar sozinha me torna silenciosa e filosofa, penso mais, analiso mais, por sua vez sofro mais, relembro mais, me torno frágil, naquele momento em que tanto desejo por alguém e não tenho, e no dia seguinte acordo mais forte porque superei, sobrevivi.

Resisti e não chamei ninguém, não liguei, não voltei.

Dá vontade de chorar, mas seguro. Algumas coisas se tornam sem sentido fazer quando você esta sozinho, não rio mais tanto, não choro mais, não exageramos nada, vivemos muitas vezes até uma realidade paralela, é como se a solidão nos deixasse um pouco loucos, insanos.

Estar sozinho pode ser ruim, às vezes bom, ou talvez um pouco dos dois.
A solidão é como uma morte lenta, nos consome, nos cansa, nos torna por vezes depressivos, guardamos muita coisa dentro de nós, que nem sempre é libertada.

Mas a solidão vicia, em tão pouco tempo já me parece estranho comer com alguém, quero cada vez mais estar sozinha, cada vez me isolar mais, a solidão nos torna mais pensantes, mais adultos, e a tristeza nos torna mais inteligentes, mais racionais e justos, a dor faz com que eu me ame mais.

Como eu me sinto?

Diga você mesmo.


Por Dayse Borba